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Revista Cerradeira

A Revista Cerradeira foi criada no PPGAS da UFG em novembro de 2024 no momento em que esse programa de pós-graduação completa 15 anos de existência e se oferece como um novo meio editorial para articular outros movimentos cerradeiros.

Há 15 anos, despontou no cenário da antropologia brasileira o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFG trazendo a proposta de uma antropologia insurgente posicionada no sertão contra o colonialismo em suas várias formas, entre elas, o colonialismo interno. A criação do PPGAS fez parte de um movimento de descentralização geopolítica da produção de conhecimento e da formação profissional em antropologia, até aquele momento, concentradas nas regiões Sul e Sudeste do país.

O PPGAS se tornou hoje um programa consolidado com nota 5 na avaliação da CAPES. Neste momento de ativação da memória do programa e de recuperação da sua proposta original de criação, o projeto da revista dá continuidade a esse movimento contrahegemônico. Para marcar esses primeiros 15 anos de sua história, o PPGAS criou a revista Cerradeira, que espelha sua estrutura e seus anseios por novas abordagens, linguagens e formas de expressão na área da antropologia.

A ideia de criar uma revista do programa vem sendo ventilada há alguns anos. O cenário atual nos encoraja a dar forma a esse desejo antigo. A criação da revista foi tema das reuniões de autoavaliação e planejamento do programa nos anos de 2023 e 2024. A proposta foi acolhida por integrantes da CPG e na reunião de planejamento de março de 2024, a criação da revista se tornou uma ação prioritária articulada ao processo de internacionalização do programa. Na reunião da CPG do dia 9 de outubro de 2024, a estrutura da revista foi apresentada e na reunião do dia 25 de novembro do mesmo ano, a revista é aprovada pelo COnselho Diretor da Faculdade de Ciências Sociais e pela Comissão Executiva da Política Editorial da UFG/Biblioteca Central.

Em 2025, a revista iniciou suas atividades de editoração e em breve lançará sua primeira chamada para submissão de propostas de dossiês.

O processo institucional de criação da revista foi organizado em conformidade com os mais altos padrões de qualificação de periódicos nacionais e internacionais na área de antropologia e com as diretrizes da política de periódicos da UFG, das políticas editoriais da ABEC e dos principais indexadores nacionais e internacionais.

O objetivo principal da Revista Cerradeira é compartilhar conhecimentos, saberes e produções científicas e acadêmicas em antropologia social e colaborar para a produção de uma antropologia posicionada que articula saberes localizados, corporificados e profundamente diaspóricos. Cerradeira marca também a posição e o movimento de criar , manifestar e fazer circular conhecimento antropológico de alcance internacional, nacional e regional, orientados para pluralizar e provocar mudanças epistemológicas e políticas na antropologia.

A revista posiciona a prática etnográfica lado a lado dos ofícios das mulheres cerradeiras do sertão, como as quebradeiras de coco babaçu, que fazem da travessia e da imersão no cerrado seu ofício e modo de viver e criar. Assim como o trabalho das mulheres cerradeiras, bordadeiras, raizeiras, quebradeiras, cozinheiras, merendeiras, pensamos a escrita antropológica como um ofício artesanal lento, orgânico e resistente ao produtivismo acadêmico. O formativo “eira” do nome enfatiza o engajamento e a aliança com conhecimentos tradicionais ou populares. Este sufixo remete a ofícios populares e a uma forma de construir palavras mais comum no sertão.

Desde essa posição cerradeira que perturba o arranjo hierarquizado de conhecimentos, a revista do PPGAS da UFG busca se conectar a outras antropologias no Brasil e na América Latina que refluem em movimentos contracoloniais.

Pelas linhas da escrita antropológica, a Revista Cerradeira vem reunindo antropólogas batalhadeiras, parideiras de ideias, pegadeiras de palavras, semeadeiras de problemas, futriqueiras, criadeiras de caso que buscam fazer uma antropologia sem eira nem beira,  desobediente e insurgente

Com nossa cesta trançada com palavras juntamos, em edições semestrais, artigos científicos, ensaios, relatos de experiências, entrevistas, traduções, resenhas, manifestos, cartas, poemas, desenho, produções artísticas e audiovisuais em três seções: Cria, Posiciona e Manifesta.

A proposta é estimular publicações científicas relacionadas a lutas indígenas, negras, quilombolas, feministas e LGBTQIAN+, bem como a educação, saúde, cultura, ciência, tecnologia, patrimônio, audiovisual, política, meio ambiente, ações afirmativas, religião, corpo, gênero, sexualidade, raça e etnia e outras convergências no campo da antropologia. Acreditamos ser essa revista um importante instrumento com potencial para a produção de reflexão crítica sobre as particularidades do saber-fazer antropológico e suas múltiplas implicações.